MAMBAS:: O (alto) preço é da falta de campo ou de atletas na Europa?

Sem campo no País para jogos internacionais, os moçambicanos continuam privados de ver as suas estrelas. Jogar na África Austral não está na agenda do dia: é também uma missão impossível.

Texto: David Nhassengo e Abiatário Rombane

O desgaste dos atletas e uma Europa distante de Moçambique continua a estar na ordem do dia para a escolha dos jogos dos Mambas. Antes eram os oficiais, agora são os amigáveis.

Foi assim a 11 de Outubro de 2021 contra Camarões quando o País elegeu Tânger, Marrocos – Norte de África – como casa para o jogo da quarta jornada de apuramento ao Mundial. E o cenário repetiu-se a 16 de Novembro, contra Malawi, para a derradeira jornada: Benin foi a casa de Moçambique no Ocidente africano.

O argumento foi, na altura, sacrossanto para os anjos: era para evitar o desgaste dos atletas com longas viagens, facilitando a vida dos que militam no estrangeiro na hora de regressarem à sua zona de origem.

O mesmo argumento voltou a tomar conta dos gestores da federação, desta vez para elegerem Nouakchott, Mauritânia, lá no Noroeste de África, para jogos amigáveis.

Assim o confirmou esta sexta-feira, 11 de Março, Paíto Mucuana, vice-presidente da FMF para as Selecções Nacionais. Durante a conferência de imprensa na qual Chiquinho Conde anunciou os 23 eleitos para a dupla jornada.

E o disse, em letras garrafais, que “vimos com o seleccionador nacional um vantagem de podermos realizar dois jogos naquele País. Ademais, os jogadores que militam no estrangeiro poderão partir para aquele País, juntando-se aos que partirão de Maputo, sendo que de lá regressarão às respectivas zonas de origem”.

E, mais: “é verdade que a selecção está parada já há algum tempo, mas também vimos que não faria muito sentido, sabido do desgaste que seria para eles virem a Moçambique e depois partirem para Mauritânia. Estando na Europa vai ser mais fácil eles irem directamente a Mauritânia, ao que depois do jogo irão regressar”, acrescentou, o Mamba Legend, hoje na capa de gestor desportivo.

África Austral, um acessório!

Os países da África do Sul sempre foram a varanda de Moçambique, mormente a África do Sul. Mas no futebol está máxima não se aplica. Jogar na região não está nas contas dos Mambas. E, pela terceira vez desde o encerramento do Zimpeto, a situação repete-se.

Recebemos alguns convites para podermos jogar contra algumas selecções da África Austral. Mas optamos por Mauritânia, uma vez que tínhamos esta possibilidade de realizar dois jogos no mesmo País”. Justificou-se Paíto Mucuana, ajuntando ao facto de a localização da Mauritânia facilitar no movimento de ida e volta dos atletas que militam na Europa, evitando-se assim o desgaste físico dos mesmos.

Contra Camarões e Malawi, na fase de apuramento ao Mundial, jogar em Mbobela ou no Orlando Stadium esteve fora de questão exactamente pelos mesmos motivos.

Como se os moçambicanos tivessem de pagar um preço elevado por não terem o Estádio Nacional do Zimpeto em condições e/ou terem as suas estrelas a jogarem no estrangeiro.

De recordar que os Mambas desembarcam em Nouakchott a 20 de Março, sendo que os encontros contra Níger e Mauritânia estão agendados para 23 e 26 de Março, respectivamente. [OC]

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